"-Tenho medo-grasnou Ditosa.
-Mas queres voar, não queres?- miou Zorbas.
Do campanário de São Miguel via-se toda a cidade. A chuva envolvia a torre da televisão e, no porto, as gruas pareciam animais em repouso.
(...)
-Tenho medo! Mamã!-grasnou Ditosa.
(...)
-Vais voar, Ditosa. Respira. Sente a chuva. É água. Na tua vida terás muitos motivos para ser feliz, um deles chama-se água, outro chama-se vento, outro chama-se sol e chega sempre como recompensa depois da chuva. Sente a chuva. Abre as asas- miou Zorbas.
A gaivota estendeu as asas. os projectores banhavam-na de luz e a chuva salpicava-lhe as penas de pérolas. O humano e o gato viram-na erguer a cabeça de olhos fechados.
-A chuva, a água. Gosto!- Grasnou.
-Vais voar- miou Zorbas.
-Gosto de ti. És um gato muito bom- grasnou ela aproximando-se da beira do varandim.
-Vais voar. Todo o céu será teu- miou Zorbas."
SEPÚLVEDA, Luis "História de uma Gaivota e do Gato que a ensinou a voar" edições ASA, págs. 119 e 120
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