Pode não ser fácil...
O espírito de rentrée ainda não é muito propício a assuntos muito sérios e, quiçá, dolorosos, no entanto, mais uma vez, sinto-me entre a espada e a parede e, para além disso, talvez possamos aproveitar estes derradeiros suspiros veraneantes para reunir a famelga e conversar a sério, de um modo calmo e devidamente retemperado, sobre as regras lá de casa.
Um dia destes, enquanto via um programa de televisão dedicado aos avós, pude assistir a uma entrevista a um casal de avós que tinha, em sua casa, uma espécie de creche, para receber todos os seus netos. O avô disse que sabia que eram uns privilegiados por terem condições para tal “luxo” e, relativamente à necessidade de regras na casa, disse, de um modo óbvio, pelo menos para ele, que elas eram muito importantes e que normalmente não havia problemas. Curioso!
Decerto, já ouviu várias vezes aquelas comparações com as sociedades do Norte da Europa, nas quais predominam um civismo e uma educação exemplares. Decerto, já ouviu falar daquelas famílias, onde o rigor e a disciplina são tão naturais como a própria convivência. Decerto, já ouviu muitos psicólogos dizerem que é preciso saber dizer que não. Se todos nós já ouvimos estes comentários, pelo menos uma vez na vida, porque é que ainda se ouve falar tanto de situações de filhos que mandam nos pais, de pais que não conseguem aconselhar os seus filhos, de famílias que não aceitam ajuda de ninguém, mesmo quando já nada lhes resta, de filhos que acham que a missão dos pais é sustentar e suportar todas as suas vontades e desejos?
Estas questões preocupam-me um pouco e, mesmo de férias, não as abandonei (ou elas é que não me abandonaram a mim!). Na revista nº 26 da Blue Living, a jornalista Luisa Jacobetty, no editorial, tem uma expressão muito curiosa que passo a citar- “Antes, o ditado dizia “antes a criança chore que a mãe suspire”. Agora, consultem-se as mais recentes recolhas de provérbios, e já é popular dizer-se: “antes a mãe chore que o filho suspire”. Ora nem eu, nem, com certeza, a referida jornalista, queremos apontar dedos acusatórios, nem propor atitudes radicais e extremistas. Nada disso. Da minha parte, e nunca esquecendo que a juventude é o momento das intensidades por excelência, apenas gostava que filhos e pais fossem FELIZES... em conjunto!
A palavra educar tem, originalmente, o sentido de ponto de partida para a educação, para a instrução. Hoje, a sua definição simplifica-se à ideia de dar educação. Para que esta missão seja possível é preciso salvaguardar duas premissas: o educador tem de saber educar e o educando tem de se deixar educar. Soa a Padre António Vieira!
Considerando que a educação implica obrigatoriamente um conjunto de pessoas, para que ela resulte, terá de se instaurar e preservar a denominada disciplina. A disciplina é o conjunto das regras que regem um determinado grupo de pessoas.
Esta é a teoria. Como em qualquer outro domínio, a prática é muito mais difícil que tudo isto, no entanto, tanto eu, como o leitor, sabemos que temos de começar por algum lado. É em família, no seio de todos os afectos, de todas as dores, o núcleo da intimidade por excelência, que as regras têm de surgir com naturalidade. Se assim for, parece-me- perdoe-me se estiver enganada- que tudo se tornará mais fácil, quer junto dos agentes de socialização- família e escola, como junto de todas as outras pessoas e entidades, ao longo de toda a vida.
A experiência não impede de se cometer um erro; só nos impede de o cometermos com prazer.
Provérbio árabe
O espírito de rentrée ainda não é muito propício a assuntos muito sérios e, quiçá, dolorosos, no entanto, mais uma vez, sinto-me entre a espada e a parede e, para além disso, talvez possamos aproveitar estes derradeiros suspiros veraneantes para reunir a famelga e conversar a sério, de um modo calmo e devidamente retemperado, sobre as regras lá de casa.
Um dia destes, enquanto via um programa de televisão dedicado aos avós, pude assistir a uma entrevista a um casal de avós que tinha, em sua casa, uma espécie de creche, para receber todos os seus netos. O avô disse que sabia que eram uns privilegiados por terem condições para tal “luxo” e, relativamente à necessidade de regras na casa, disse, de um modo óbvio, pelo menos para ele, que elas eram muito importantes e que normalmente não havia problemas. Curioso!
Decerto, já ouviu várias vezes aquelas comparações com as sociedades do Norte da Europa, nas quais predominam um civismo e uma educação exemplares. Decerto, já ouviu falar daquelas famílias, onde o rigor e a disciplina são tão naturais como a própria convivência. Decerto, já ouviu muitos psicólogos dizerem que é preciso saber dizer que não. Se todos nós já ouvimos estes comentários, pelo menos uma vez na vida, porque é que ainda se ouve falar tanto de situações de filhos que mandam nos pais, de pais que não conseguem aconselhar os seus filhos, de famílias que não aceitam ajuda de ninguém, mesmo quando já nada lhes resta, de filhos que acham que a missão dos pais é sustentar e suportar todas as suas vontades e desejos?
Estas questões preocupam-me um pouco e, mesmo de férias, não as abandonei (ou elas é que não me abandonaram a mim!). Na revista nº 26 da Blue Living, a jornalista Luisa Jacobetty, no editorial, tem uma expressão muito curiosa que passo a citar- “Antes, o ditado dizia “antes a criança chore que a mãe suspire”. Agora, consultem-se as mais recentes recolhas de provérbios, e já é popular dizer-se: “antes a mãe chore que o filho suspire”. Ora nem eu, nem, com certeza, a referida jornalista, queremos apontar dedos acusatórios, nem propor atitudes radicais e extremistas. Nada disso. Da minha parte, e nunca esquecendo que a juventude é o momento das intensidades por excelência, apenas gostava que filhos e pais fossem FELIZES... em conjunto!
A palavra educar tem, originalmente, o sentido de ponto de partida para a educação, para a instrução. Hoje, a sua definição simplifica-se à ideia de dar educação. Para que esta missão seja possível é preciso salvaguardar duas premissas: o educador tem de saber educar e o educando tem de se deixar educar. Soa a Padre António Vieira!
Considerando que a educação implica obrigatoriamente um conjunto de pessoas, para que ela resulte, terá de se instaurar e preservar a denominada disciplina. A disciplina é o conjunto das regras que regem um determinado grupo de pessoas.
Esta é a teoria. Como em qualquer outro domínio, a prática é muito mais difícil que tudo isto, no entanto, tanto eu, como o leitor, sabemos que temos de começar por algum lado. É em família, no seio de todos os afectos, de todas as dores, o núcleo da intimidade por excelência, que as regras têm de surgir com naturalidade. Se assim for, parece-me- perdoe-me se estiver enganada- que tudo se tornará mais fácil, quer junto dos agentes de socialização- família e escola, como junto de todas as outras pessoas e entidades, ao longo de toda a vida.
A experiência não impede de se cometer um erro; só nos impede de o cometermos com prazer.
Provérbio árabe
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